terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Diário de Bordo: Paris - Parte 2

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28/12/2010 – Terça-feira “Velhos tempos que não voltam mais? Quiçá um dia...”


LUÃ: Wirna não conseguiu dormir direito. Disse que havia sonhado com algo, que não lembra e por esta razão havia acordado antes do que deveria, mas não era pesadelo. Ela acordou antes do relógio e me acordou perguntando se ainda não estava na hora, se o relógio não havia despertado, pois o sol despontava lá fora. Falei que ainda não havia ouvido então ela começou a discutir sobre uma provável teoria para meu estranho ronco, até que “trim... trim... trim...”. Era o despertador!

Creio que isto tudo não passou de tamanha ansiedade para chegar à Disney, pois como a mesma relatou anteriormente, pretendia se soltar e regressar a infância durante àquele dia. De pé, o de sempre, lógico: banho, arrumar mochila. Sem comida no quarto resolvemos tomar café no próprio Formule 1 (3,70 euritos). Café simples: o pão, torrada, manteiga, suco de laranja, café, leite, iogurte de maçã – que Wirna não suportou. Deu para fazer o peso. 

Com tamanha ansiedade, nos descuidamos e esquecemos de preparar aquela quentinha. Estamos na zona dois de Paris. Afastada da muvuca turística do centro. Aqui, mais periférico, residencial, barato. Saímos de trem até uma estação integração com metro, pegamos o metro com destino à estação com integração com o trem que liga até a Disney. Isto tudo deve ter durado uns 40 minutos. No caminho, em razão desta ser uma terça-feira, a correria típica de uma cidade grande, cosmopolita como Paris. 

No trem rumo à Disney era visível a animação de alguns passageiros, a maioria crianças e adolescentes, mas uma chamou atenção especial. Era Wirna. Olhos brilhantes, sorrisos e semblante de criança com vontade de brincar e sonhar. Neste longo caminho aproveitamos para entrar no clima de regresso à infância. Contamos histórias, piadas. Lembranças de um tempo não muito distante e que nos deixa imensa saudade.

Finalmente, após 45 minutos num trem, chegamos a ultima estação. Subimos as escadas apressados pois estava próximo às 10h. Logo ao sair da estação é possível visualizar os portões da Disney. Muita gente se espremendo para entrar num pequeno portão. Muitas crianças, famílias, adolescentes, jovens. De inicio passamos por uma revista. E nesta hora demora um bocadinho. Logo em seguida vamos para outra fila um pouco menor para comprar os bilhetes. Quando chegou nossa vez Wirna correu e pediu à atendente dois bilhetes para os dois parques. Só tive tempo de tirar o cartão e entregar. 

Wirna caminhava pulando, com um sorriso imenso e aproveitava para lembrar-se da primeira vez que entrara naquele parque, em 2005, com seu pai e sua irmã. Ela pegou em minha mão e saiu me puxando, às pressas, rumo a Space Montain, montra russa que havia ido em 2005 e que achara muito boa. Lá, a triste surpresa de que encontrava-se fechada por problemas técnicos. Ficou entristecida, mas insistiu em fazer a foto “pa dizer que fomos”. Continuamos o passeio. Ao fundo músicas temáticas deste mundo do simulacro.

[a parte Desde que cheguei a Paris, não sei ao certo porque, mas ando bastante inspirado sociológica e filosoficamente. Começo a lembrar de algumas referências e na Disney não poderia ser diferente. A observar à Disney veio em minha cabeça autores como Baudrillard, Guy Debord, Foucault e Bourdieu (todos franceses). É tudo um mundo de simulações, símbolos e espetáculo.]

Passeamos por alguns parques temáticos dentro da Disney. Paramos nos Piratas do Caribe e resolvemos fazer um passeio. Esperamos bastante numa fila, mas no fim valeu a pena. Um passeio de barquinho por dentro de umas ruínas com temas do filme, inclusive no passeio há uma quedinha e Wirna acabou molhando-se. 

Ao sair resolvemos ir logo para o parque da Universal, pois este fecha mais cedo que a Disney, às 19h. A Universal parece ser mais dinâmica e de um público mais velho que na Disney. Outra observação é que possui um número maior de brinquedos de aventura. Corremos para uma montanha russa com tema de rock’n’roll, da banda Aerosmith. A procura era imensa, por isso ali havia uma maquina que emitia bilhetes que marcavam a hora em que você deveria retornar para entrar no brinquedo sem grandes filas (Fastpass) Aproveitamos para fazer isto em outro brinquedo, a torre de terror. Como no agendamento que fizemos do brinquedo tínhamos um vácuo de duas horas e meia, resolvemos ir num brinquedo que possuía fila normal. Era um brinquedo no parque do Toy Story. Um carrinho de controle remoto que se movia de um lado para o outro em forma de U. Wirna observou que parecia o tapete mágico do centro ITA. Vimos muitas crianças na fila e por esta razão concluímos que aquele seria um brinquedo inocente. Resolvemos entrar e nos divertir um pouquinho. Entramos no brinquedinho, colocamos a proteção. Wirna estava tremendo de frio e de nervoso. Realmente não sabíamos o que vinha pela frente. De repente ele subiu até uma ponta onde todos ficavam de costas, quase a 90°. Premeditei que a seguir viria uma veloz descida e alertei Wirna para segurar seus óculos. Então o bicho desceu com tudo em alta velocidade e subiu até a outra extremidade como se fosse nos lançar em direção ao espaço. Aí o bicho pegou! Voltou pra trás ainda em alta velocidade e assim repetiu umas cinco vezes. Fiquei estático, não de medo, mas de surpresa como aquele que parecia ser um inofensivo brinquedo, cheio de criancinhas fosse capaz daquilo. Virei-me ao lado, olhei para Wirna e esta paralisada, como uma estátua. Ela não gritava nem se mexia. Nada! Próximo ao fim, ainda naquele frenesi resolvi gritar: uhuuuuuu! Até que acabou. Olhei para Wirna. Estava branca de pavor, não conseguia se mover, nem sair do brinquedo. Não acreditava naquilo. Muitos “éguas” foram  ditos: admiração, surpresa, medo... Depois risos e promessas de que nunca mais pretendia voltar naquele brinquedo louco. Fotos para posteridade. 

De lá passeamos no parque da Universal, muitas fotos. Como ainda tinha tempo para o brinquedo que havíamos reservado, então aproveitamos para relaxar assistindo à um show no Animagique. Um teatro onde Donald e Mickey protagonizavam uma viagem do Donald pelo mundo Disney. Depois seguimos para a montanha russa. Esta foi mais tranqüila e divertida. Muitas luzes, rock e dois loopings. Na foto que compramos ao final, saímos de mãos dadas. Wirna aparece com biquinho de choro, eu com sorriso. Para o próximo brinquedo ainda tinha uma hora pela frente, então fomos assistir outra apresentação, dessa vez no Cinemagic. É uma apresentação sobre a evolução do cinema e o mundo Disney. 

Logo chegou a hora de curtir o brinquedo torre do terror. Wirna tinha ficado traumatizada com o primeiro brinquedo então resolveu não ir. Fui sozinho. O brinquedo é num cenário de hotel. Conta-se a história deste, de uma família que morreu após um trovão atingir o prédio fazendo o elevador cair. O elevador sobe devagar, para em alguns andares, sobe mais e então temos a visão de toda a Disney e ele despenca. Isto acontece duas vezes.

Escureceu. Voltamos à Disney e resolvemos curtir um passeio pelos parques. Paramos no parque das princesas. Andamos de carrossel, xícara da Alice no País das Maravilhas, nos trens do Pinóquio e da Branca de Neve. Notamos que ao escurecer as crianças a mais tempo (adultos) são maioria. 

Assistimos a um desfile com os personagens da Disney, muito bonito, especialmente o Castelo, que ficou completamente iluminado. Deixou Wirna feliz e emocionada. Entramos na Disney 10h e saímos de lá ao fechar, 22h. Estávamos exaustos, com dores. Pegamos trem, trocamos para o metro, depois trem novamente. Esta viagem demorou mais de uma hora. Chegamos na estação do hotel quase meia noite. Ainda nem tínhamos almoçado. Apenas comido bolacha, pão e chocolate. Encontramos um mercadinho aberto, compramos frutas, pão e coca-cola. Tínhamos um queijo desde a Bélgica. Fizemos sanduiches, comemos fruta, tomamos coca. Fomos dormir mortos, porém satisfeitos por fazer esta viagem à infância.

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