domingo, 19 de dezembro de 2010

Amsterdam - Parte 2 “Dialéticas, neve, cores e história”

Continuação da nossa visita à Amsterdam. Perdeu a primeira parte? Então clica aqui!

Luã: O dia anterior fora estafante, entretanto muito gratificante. Vivenciar a experiência de um país realmente liberal, ousado e moderno, nos faz refletir sobre a formação cultural de nosso povo. Seriamo-nos atrasados ou estes adiantados demais? Seria esta uma terra de oba-oba, sem Lei ou a favor de seus cidadãos? A dialética torna-se uma constante... 

Logo de madrugada acordei com o barulho que alguns transeuntes faziam: “Hey guys, hey guys”. As vozes aparentavam ser de uma jovem entusiasmada, talvez pelo álcool ou outras substâncias. Era 4h por aqui e como a janela fica em frente à cama, resolvi olhar o tempo lá fora, e foi nesta hora que me surpreendi ao ver flocos de neve caindo lenta e calmamente. 

Acordamos mais uma vez as 8h e o dia tentava amanhecer, com bastante preguiça. Tomamos banho e seguimos para a Estação Central para tomar café naquele mesmo lugar do dia anterior. Dessa vez Wirna resolveu experimentar aquilo que julgo ser café com leite. Ela também não encontrou sabor, mas disse que este era melhor do que tal cappuccino. De acordo com as informações, para chegar até o local programado para o dia, deveríamos pegar o trem nº 2 ou o nº 5. Uma policial jovem, loira e com um piercing na língua apontou a direção do ponto. Seguimos viagem, usando nosso I Amsterdam Card, e presenciamos, pela quantidade de neve, um congestionamento de trens. Finalmente chegamos ao destino e quando descemos a sensação de temperatura negativa.      


Sinto-me como se estivesse dentro de um desses quadros, encharcado nessa quantidade de aquarela. É isto! Pinceladas diferente, cores vivas, intensas, bastante tinta na tela. Como será que fazia para não manchar suas obras? Retratos do cotidiano de uma gente comum, o que me lembra outro cara que sou apaixonado (Portinari). Também auto-retratos (27 ao todo), assim como paisagens e, no inicio da atividade, uma natureza morta, fechada, escura. Este é Monsieur Vincent Van Gogh: holandês, que viveu na França, foi sustentado pelo irmão Theodore (Theo), morou numa casa amarela com Gauguin, deprimiu-se, cortou a orelha, internou-se e suicidou-se. Estas foram às informações apreendidas no tour pelo Van Gogh Museum, num distrito que possui outros dois famosos museus holandeses: Rijks Museum e Stedelijk Museum. 

No Van Gogh Museum, nos deliciamos ao admirar obras como Os girassóis, Os comedores de batata, A casa amarela, Campo de trigo com corvos, A bota, também obras de Monet, Rodin, Toulouse-Lautrec, Gauguin, dentre outros. Wirna frustrou-se quando leu uma placa que informava a ausência da obra O quarto de Van Gogh, pois a mesma estava numa exposição no Japão. Ao final do passeio tentamos nos conter no Van Gogh Shop Museum, comprando apenas lápis, marcadores de livros e Wirna aproveitou a promoção (3,50) de uma gravura do “Quarto”, que deduzimos ser mais barata devido ao quadro não estar exposto como deveria. 

Atravessamos uma praça cheia de neve até o Rijks Museum. Lá dentro, quentinho-quentinho, iniciamos o passeio neste que expõe obras do período identificado como Século de Ouro Holandês. De inicio pinturas, pratarias e cerâmicas que retratam a expansão holandesa no mundo. Ali, muitas obras que retratam batalhas e glórias holandesas. Numa sala, casa de bonecas do século XV, que retratam o modo de vida dos ricos da época, o que deixou Wirna e seu jeito moleca com vontade de brincar. A partir do segundo piso apenas pinturas, de figuras como Jan Steen, Frans Hals, Vermeer, Rembrandt e Gabriël Metsu. Devo confessar que minha atenção tende à obras que exploram cotidianos, expressões faciais evidentes e coisas anormais, demonstrando uma aparente ruptura ao tradicional. Por esta razão, meus destaques ficam, na ordem – pelo menos neste museu – com Gabriël Metsu, Frans Hals, Vermeer e Rembrandt. 

Wirna: Após a visita, tivemos que novamente nos conter na lojinha, até porque está era muito mais cara do que a do Van Gogh, seguimos rumo ao Stedelijk Museum que está sem o acervo permanente em virtude de restauro. Decidimos dar um pulo na Heineken Experience, e visitamos a lojinha, na qual o Luã adquiriu um caneco de cerveja. Eu não comprei nada porque achei tudo um absurdo (sem exagero!). O frio tava de lascar, eu mesmo bem agasalhada tava me tremendo toda, por isso, aproveitamos e pegamos um tram (metrô de superfície) de volta para casa. Na Centraal Station fomos pegar informações trem para Brugge, onde comemos um kroket (croquete) de um eurito. No caminho do hotel descobrimos um supermercado à lá Pingo Doce de Portugal onde compramos o jantar. Chegamos ao hotel, comemos, fizemos contas ($) e em seguida tomei banho e lavei cabelo. Enquanto Luã escrevia a primeira parte do relatório, fiquei encaixando novos lugares no roteiro, e lendo as outras vantagens do I Amsterdam card, que inclui um abridor da outra Heineken, o museu do Rembrandt, um croquete grátis, etc.

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