sexta-feira, 11 de março de 2011

Marrakesh, Marrocos - Parte 1


Em março de 2011, eu e Luã, ainda estávamos morando em Braga, Portugal e resolvemos viajar para Marrakesh, no Marrocos, pela empresa aérea low cost Ryanair, após muitas dicas de amigas que já tinham ido. Mochilar de avião na Europa é possível! Há passagens de 7 euros pela Ryanair! Marrakesh sem dúvida foi uma das melhores viagens que já fiz, especialmente pelo choque cultural.
Acompanhem como foi:


"Acordamos às 5h da manhã para podermos chegar com tranqüilidade. Banho, café, últimas arrumações e saímos de Gualtar, nosso bairro em Braga, rumo á paragem (parada de ônibus). Pegamos o autocarro (ônibus) das 6h34 e o comboio das 7h10 para a Cidade do Porto. Às 8h chagamos em Campanhã (estação). Pegamos o metrô em direção ao aeroporto. Chegamos por volta das 9h. Procuramos o check-in da Ryanair, pois o Luã por não ser europeu, mas apenas residente, precisava de um carimbo da empresa antes do embarque. Feito isso, detector de metais, e então sala de embarque. Acessamos a internet gratuita de lá nos computadores que ficam espalhados por toda a sala de embarque. Procurei um quiosque da MAC mas não encontrei. Compramos uns chocolates e aguardamos o nosso portão. Quando a informação foi liberada, fizemos a imigração. Eu como sempre não levei carimbo (dupla cidadania), só o Luã. 
Conseguimos ser os primeiros a entrar no avião e sentamos logo na segunda fileira (na Ryanair não há assentos marcados). Não escolhemos a primeira por ser saída de emergência. O vôo foi como de praxe da Ryanair: cadeira sem reclinar, um festival de anúncios imperdíveis, comida vendida e nada de sossego. Ouvi as aeromoças conversarem e darem dicas sobre o lugar, como por exemplo o suco de laranja. 
De repente comecei a ver um “mar” de vermelho e terracota.. era Marrakesh! Chegamos em Marrakesh adiantados, mas não sei ao certo quantos minutos. Isto deve acontecer porque quase não há malas despachadas, afinal, Ryanair é só mala de mão para poder sair barato. No aeroporto trocamos nosso dinheiro, pois segundo informações de pesquisa é o melhor câmbio, acreditem se quiserem. O dinheiro no Marrocos é desvalorizado, portanto há mais zeros, assim, um euro são 10 dirams. 
Pegamos informação para saída e descobrimos que dentro do aeroporto não há o Tourist Information. Do lado de fora vimos um ônibus estacionado e váááários táxis. Resolvemos ir de ônibus.. pobre é ralado,kkkk. O motorista nos indicou a descida na Praça Djemaa El Fna onde fica o hotel que reservamos pelo voudemochila.com
Ao descer do ônibus tivemos uma visão do inferno: um trânsito caótico! Carruagens, motos, bicicletas, táxis, carros particulares, muita gente, enfim, todos disputando o mesmo espaço. Desnorteados com o local começamos a procurar o hotel, momento em que fomos abordados por um senhor nos oferecendo hotel em francês. A língua oficial de Marrakesh é árabe e a segunda é francês. 

Respondemos, mal e porcamente, que já tínhamos reserva no Hotel Cecil, e ele começou a nos chamar para seguirmos com ele, pois ele trabalhava para o Hotel Cecil. O cidadão simplesmente começou a nos guiar por dentro de uns labirintos nos quais não lembrávamos mais o caminho de volta. Ficamos ansiosos e nervosos, porém continuamos a seguir o sujeito até que voilà! Hotel Cecil. O hotel está localizado no caminho de um beco, bem próximo a praça principal de Marrakech, a Djema El Fna. Wirna tratou de apresentar nossos documentos no check in, enquanto Luã foi dar a gorjeta ao guia. Ele queria 50 Diham (5 Euros), mas Luã finalizou a conversa entregando apenas 10 Diham (1 Euro). 
Fizemos o check in, guardamos as malas no quarto e então resolvemos sair para explorar o coração da Medina, a place Djema El Fna, que, como falamos anteriormente, está bem próxima ao Hotel Cecil. Uma completa loucura. Carros, motos, bicicletas e pessoas no meio da rua, sem sinalização, sem buzina. No centro da praça encantadores de serpente, macacos, tatuadoras de henna, comerciantes, carrinhos vendendo suco de laranja, barulho, cornetinhas. Ficamos deslumbrados e assustados. Também concluímos que àquelas imagens de filme, realmente são reais. Tratamos de passear pela parte externa dos souks (mercados), até que Wirna apontou para um shisha (ou narguilé). Na hora fomos saber o preço, crentes de que deveríamos negociar para que a compra fosse bem sucedida, não apenas por uma questão de valor, mas por uma questão de ritual. O vendedor então deu um preço alto, 250 Diham (25 Euros). Luã começou a chorar: Monsieur, s’il vous plait, 150 Diham. O homem não aceitava de jeito nenhum, Wirna interveio dizendo que devíamos ir embora, então o comerciante puxou Luã de lado, deu as costas à Wirna e falou baixinho que fechava naquele valor, mais dois euros. Então Luã fechou o negócio e agradeceu: merci beaucoup! Seguimos a diante na aventura. 
Neste dia ainda negociamos mais um belíssimo espelho marroquino, almoçamos sanduiche no KFC, por incrível que pareça lá também tem fastfood. Resolvemos conhecer uma mesquita, que ficava próxima de onde estávamos hospedados, e também precisávamos de um mapa. Saímos em direção ao office de tourisme, mas no meio do caminho presenciamos uma cena curiosa. Uma moça estava com a moto no prego, e um taxista com clientes no carro por algum motivo encostou na moto, a mulher largou (literalmente) a moto, que obviamente caiu com tudo no chão, e começou a esmurrar a janela do lado do carona do taxi, goi uma gritaria! Depois dele desceu e começou a sacudir a moto da mulher, e logo veio um guarda para apaziguar os dois. Hahahahaha! Caminhamos bastante vimos uma belíssima mesquita, saímos da Medina, momento em que vimos a imensa muralha que a rodeia, atravessamos duas praças na ‘cidade nova’ (fora da Medina), e nunca chegava neste office de tourisme. Passamos por um McDonald’s com letreiro em árabe! Hahahaha! Só fora da Medina mesmo! Fotografei. Na rua as pessoas apenas diziam para que seguíssemos tout droit. Inclusive, Luã foi perguntar a uma senhora qual a direção do Tourist Information e ela simplesmente saiu “correndo”, haahhaaha, como a sociedade é machista eu é quem deveria ter perguntado. De repente chegamos ao local, depois de uma longa pernada. Estava fechado. No caminho de volta a Medina conseguimos comprar um mapa numa lojinha, onde ei aproveitei e comprei um imã, e resolvemos voltar de taxi, afinal de contas havíamos caminhado bastante. 
Voltamos ao hotel, tomamos banho e resolvemos jantar. Luã não parava de repetir que deveríamos provar o tal cuscuz marroquino, então saímos para degustar. Eu estava com certo receio, mas topei. A praça Djema El Fna ao anoitecer transforma-se numa verdadeira praça de alimentação marroquina, além de palco para espetáculos de rua, com danças do ventre, jogos de azar e música típica. Caminhamos por entre as barraquinhas e logo iniciou o assedio dos vendedores para o consumo. Ficamos numa barraquinha onde os jovens atendentes falavam ‘Obrigado’, ‘Batatas Fritas’ e ‘facebook’ hahahahaha! De entrada, um pão redondo grande com molho vermelho. Desistimos do molho, pois pensamos que fosse picante. O pão estava bom. 

Pedimos apenas dois cuscuz aux legumes. Um casal espanhol que estava ao nosso lado disse que era muito gostoso e de fato, estavam merveilleux, então resolvemos repetir com um cuscuz aux brochette, que são espetinhos de carne e frango, uma delícia! Pedimos ainda uma coca-cola, cujo rótulo estava metade em árabe metade ocidental =) Bati fotos. Após o jantar, como cortesia, os rapazes nos ofereceram “chai”, este sim eu estava louca para provar... nossa é muuuuuuuuuito bom! É um chá de hortelã maravilhoso! Fala sério! Quero tomar “chai” todo dia. Esta praça de alimentação é interessante. Pitoresca, pois lembra muito o Ver-o-Peso antes da reforma que foi submetido. Mas mesmo assim valeu a pena e não tivemos nenhum piriri. Note-se que em nossa bagagem levamos bastante imozec e plasil para o caso de haver algum problema. Mas felizmente não houve! Após o jantar demos mais uma voltinha na praça e ficamos a admirar as rodinhas com batuques, os jogos que são ao estilo de “arraial”, que você precisa acertar a bola num pequeno espaço e coisas parecidas, certa hora, todos pararam de batucar e ouvimos o som da Mesquita ecoando pela praça, era o momento da oração. Seguimos para o hotel mortos de cansados. Lá, eu estava na expectativa do banho, será que teria água quente? Sim, pois o clima em Marrakesh está ameno, mas de noite a temperatura dá uma caída para uns 8ºC, e eu precisava lavar o cabelo. Pois acreditem, a água ficou quentinha e nada de acabar como aconteceu conosco na Argentina, me surpreendi mais uma vez. Minha expectativa era a pior possível com relação à comida e acomodação e eu mordi a língua".

Quer ver a segunda parte deste post? Clique aqui!

Veja mais fotos:







0 comentários:

Postar um comentário

Busque aqui

Tecnologia do Blogger.